Aqui, você vai deparar-se com diversas e diferentes questões, um punhado de ideias e mais algumas opiniões.
Fake News: O que o Espiritismo tem a ver com isso?

A verdade é sua ou a dos outros?
Agora
é moda. Ou seria modismo?!
O novo é inovador, transformador. Assim é a Boa-Nova, a mensagem do Evangelho de
Jesus, oportuna. O Espiritismo também é sempre atual em seu conteúdo.
Ao
contrário, o modismo vem e passa, alardeia e some, confunde e desaparece… É comum surgir uma ou outra novidade que
pretende revolucionar o mundo, como se a roda fosse descoberta a cada momento!
As
informações são veiculadas a mancheias e surgem de inúmeros lugares e de
replicadores, sem que se saiba ao certo a fonte original. Muito menos se
consegue verificar a originalidade ou fidelidade da informação: verdadeira ou
falsa?
Um
princípio básico do jornalismo é que a fonte deve ser inúmeras vezes conferida
antes de a matéria ser publicada, para se ter certeza de sua origem e
autenticidade.
Hoje,
fala-se tudo sobre qualquer coisa, sem nenhum compromisso com o conteúdo, fatos
e pessoas. Interessa mais o furo, ser o primeiro a disseminar a novidade. A
pressa em compartilhar, postar, divulgar é impressionante e lamentável.
Já
ouviram falar em Fake News, as tais notícias falsas? Agora, todo mundo está falando
sobre isso, no Brasil e no mundo inteiro. Se você não sabe o que é, fique
antenado, pois isso é a febre contagiante dos tempos líquidos em que vivemos.
Fala-se
o que não se deve, espalha-se o que não se poderia. Notícias falsas,
informações incompletas, dados manipulados, meias-verdades, polêmicas,
tendenciosidades, extremismos, formação de opiniões…
Que
está por detrás da divulgação de mensagens ou notícias falsas? Enganar, iludir,
apenas se divertir?!
*
O Evangelho de Jesus e o Espiritismo têm algo
a ver com tudo isso?
Nada
melhor que os próprios autores responderem. O que parece novo, não é tão novo
assim. Isso porque falsas notícias, inverdades sempre existiram. É que agora,
com o poder de impulsão pelas redes sociais, tudo parece ser instantâneo, em
tempo real, e a acessibilidade às informações está cada vez mais fácil na
sociedade pós-moderna da informação, da ciência e da tecnologia em que estamos
imersos.
O
cuidado com o trato das fake news não é de agora. Jesus e o Espiritismo já nos
apontam como nos comportar diante de tais situações. Vamos conferir algumas
expressões que alertam sobre o assunto:
Não
acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus,
porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo. (I Jo, 4:1)
A
boca fala do que está cheio o coração. (Lc, 6:45)
Guardai-vos
dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por
dentro são lobos rapaces. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. Podem colher-se
uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? Assim, toda árvore boa produz bons
frutos e toda árvore má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir
frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. Toda árvore que não
produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Conhecê-la-eis, pois, pelos
seus frutos. (Mt, 7:15 a 20)
Tende
cuidado para que alguém não vos seduza; porque muitos virão em meu nome,
dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos. Levantar-se-ão muitos falsos
profetas que seduzirão a muitas pessoas; e porque abundará a iniquidade, a
caridade de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim se salvará.
Então, se alguém vos disser: “O Cristo está aqui, ou está ali”, não acrediteis
absolutamente; porquanto falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão
grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse
possível, os próprios escolhidos. (Mt, 24:4, 5, 11 a 13, 23 e 24; Mc, 13:5, 6,
21 e 22)
Deve-se
publicar tudo o que os Espíritos dizem? (Allan Kardec, Revista Espírita, nov.
1859)
Antes
de falar qualquer coisa, passe pelos três crivos, ou pelas três peneiras: se é
bom, verdadeiro e útil. (atribuído a Sócrates)
Na
dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto,
senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma
opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a
passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a
razão e o bom senso reprovarem.
Melhor
é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria
errônea. (Erasto. O Livro dos Médiuns, cap. 20, it. 230)
*
É
natural nos questionarmos sobre qual deve ser nossa postura diante das
informações possivelmente falsas. Recomendável que o discernimento oriente
nossas ações. Assim, oportuno lembrar que, perante as possíveis fake news,
devemos: ser cautelosos quanto a novidades e notícias bombásticas; adotar a
dúvida, como segurança informacional, sem julgamentos; levantar rigorosamente a
fonte da informação; avaliar se o conteúdo é verdadeiro, bom, útil e pertinente;
e evitar retransmitir conteúdos duvidosos ou suspeitos por quaisquer meios nas
redes sociais: Facebook, Twitter, WhatsApp, e-mail, textos, palestras,
conversas, dentre outros.
Lembremo-nos
que somos divulgadores, influenciamos e somos influenciados o tempo todo na
vida. E, consequentemente, somos responsáveis pelos nossos pensamentos,
palavras e ações onde estivermos e aonde formos.
Pensemos
no bem! Falemos sobre o bem! Ajamos no bem! Assim, o mundo será melhor para
todos nós.
Por Geraldo Campetti
FONTE:
http://www.mundoespirita.com.br/?materia=fake-news-o-que-o-espiritismo-tem-a-ver-com-isso
A mulher moderna e a espiritualidade
![]() |
| Chegou a Era da mulher! |
São grandes os desafios do século XXI. Especialmente para a mulher que, hoje em dia, trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, entre uma série de outras tarefas. Mas e a espiritualidade? Como está?
Por que eu tenho essa doença?

Cada um carregue sua cruz.
Muitos de nós passamos por grandes dificuldades relacionadas à saúde. Algumas
patologias parecem ser fardos bem mais pesados do que outras.
A alternativa é... Viver!

Sempre será o objeto da vida...
Desde que Homem habita a Terra, tem sido defrontado com inúmeros desafios materiais e / ou
pessoais. Apesar disso, sempre encontrou uma escapatória, no meio de guerras,
pestes, cataclismos naturais. A morte é um património da vida, a única coisa
que está pré-determinada: todos nós, um dia, iremos “morrer”. Derivado da
óptica materialista do Ocidente, ensinaram-nos que morrer era uma desgraça,
quando a morte, se natural, faz parte da vida, como uma mera etapa.
Depois da trágica Idade Média,
passámos para o Positivismo e, o Materialismo foi-se instalando nas Sociedades
ocidentais. Passou a ser chique, elegante, até sinal de sapiência dizer-se ateu
e / ou agnóstico. Ser-se espiritualista era sinónimo de inferioridade
intelectual, destinado à plebe e pouco mais.
Em 1857, com o advento do Espiritismo
(filosofia de vida – nada tem a ver com seitas ou religiões) demonstrou-se
experimentalmente que a morte é uma quimera, que a vida continua, que é
possível falar com os “falecidos”, através de médiuns (pessoas com faculdade de
captar o mundo extrafísico). Já não é preciso acreditar: agora, sabe-se,
qualquer um que pesquise encontra os mesmos dados, universais e transversais a
todas as Sociedades.
Charles Richet apresentou a
Metapsíquica, teve vergonha de dar o braço a torcer no que respeita às
descobertas espíritas, fazendo-o, mais tarde, no fim da vida, junto de amigos
chegados. Mais tarde, o casal Rhine, nos EUA, apresenta a Parapsicologia,
demonstrando inequivocamente as capacidades anímicas do Ser Humano, como a
telepatia, telecinesia e outras. Entre 1995 e 1998, três renomados cientistas
da “Society for Pychical Research” (SPR) de Londres, Inglaterra,
pesquisaram com enorme precisão, os fenómenos espíritas em Scole, dando origem
ao famoso “Scole Report”. As conclusões apontam sem titubear: a vida num
mundo extrafísico é real, interage conosco, confirmando, agora com equipamentos
electrónicos, o que houvera sido descoberto por Allan Kardec, em 1857.
É importante divulgar, mostrar às
pessoas que a vida continua, que a reencarnação é uma realidade,
que vale a pena nunca desistir da
vida terrestre.
Se o Espiritismo matou a morte, a Física Quântica matou a matéria: a
matéria não existe, tudo é energia, em múltiplos estados (conhecidos e
desconhecidos). O que chamamos de matéria, não é mais do que energia
“coagulada”, sentida pelos sentidos grosseiros, neste planeta inferior.
No tempo do Materialismo, fazia
sentido o suicídio, pois se não há nada após a morte, porque hei-de sofrer?
Porque hei-de passar dificuldade? O nada era algo que nos permitia a fuga para
um vazio que nos acalmaria todas as dores físicas e mentais.
Com a morte do Materialismo (Física
Quântica) e com a morte da Morte (Espiritismo), apareceram novos paradigmas que
provam a imortalidade –Casos Sugestivos de Reencarnação (meninos-prodígio,
crianças que se lembram de vidas passadas, comunicações espirituais, regressão
de memória), Experiências de Quase-Morte (EQM´s), Experiências Fora do Corpo
(EFC’s), Visões no Leito de Morte (VLM’s), Transcomunicação Mediúnica (TCM) e
Transcomunicação Instrumental (TCI) – e o suicídio deixa de fazer
sentido.
Quem decide deixar a vida física, sai
de um plano existencial (energia coagulada) para entrar noutro plano mais
subtil, etéreo (o mundo espiritual), tão vivo e real como o nosso, aqui na
Terra. O sofrimento que o levou ao ato tresloucado acompanha o suicida, pois é
património do Espírito. Este, ao ver-se vivo no plano extrafísico, aumenta os
seus problemas, com a frustração de não ter morrido, ao ter consciência do erro
cometido, das complicações que daí advêm. No dizer dos suicidas que se
comunicam nas associações espíritas, não existe linguagem na Terra para
descrever o sofrimento deles no mundo espiritual, não como castigo divino, mas
como consequência de um ato destrutivo que ignoravam. A responsabilidade e
respectivas consequências são sempre proporcionais ao grau de conhecimento e de
lucidez do suicida.
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo)
é o maior preservativo contra o suicídio
O Espiritismo explica ao Homem quem
ele é, de onde vem, para onde vai, o porquê da vida e a causa das dissemelhanças
entre todos nós. Estudando Espiritismo, o Homem encontra a explicação para os
problemas existenciais, pesquisa sem necessidade de acreditar e encontra
lógica, esclarecimento e consolo. Aprende que a vida na Terra é como um ano
escolar, que nenhum de nós tem cargas superiores às suas capacidades psíquicas
e, que o Amor de Deus está sempre presente na nossa vida, onde se multiplicam
os benfeitores espirituais que nos intuem para o Bem, os amigos terrenos, a
família, a Sociedade em geral.
Com as descobertas da Ciência
Espírita e da Ciência Oficial (que tem confirmado todas as assertivas
espíritas), descobrimos que, custe o que custar, doa o que doer, a
única alternativa que temos, apesar de tudo é sempre… viver.
Não faz sentido anular a matrícula a
meio do ano, desistir. Vamos até ao fim, custe o que custar cada teste que
temos de fazer, na certeza imorredoura de que Deus nunca nos desampara, que
amanhã outras oportunidades e soluções por vezes inesperadas, solucionarão o
que parecia impossível.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.
Por José Lucas
FONTE:
https://artigosespiritaslucas.blogspot.com/2020/06/a-alternativa-e-viver.html
CoronaVírus: A lição das epidemias
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Como os Espíritas devem comemorar a Semana Santa?
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Diferenças entre Espiritismo e Espiritualismo
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| Nem tudo é Espiritismo! |
No item I – Espiritismo e Espiritualismo, da
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, constante de O Livro dos
Espíritos Kardec esclarece:
“Para as coisas novas necessitamos de palavras
novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão
inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. A palavra espiritual,
espiritualista, espiritualismo tem uma significação bem definida; dar-lhes
outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já
tão numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do
materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da
matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos
Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.
Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e Espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo tem a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.”
Espiritualismo
Doutrina filosófica que admite a existência de Deus
e da alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria.
Segundo o Materialismo no ser humano só haveria o
corpo físico. Até as funções superiores como a memória, o raciocínio, as
emoções, os sentimentos poderiam ser reduzidos a simples reações
físico-químicas do sistema nervoso, do sangue, das glândulas internas. O
Universo seria formado por acaso e seria explicado dentro das leis das ciências
exatas (Matemática, Física, Química, Astronomia etc.). Esta é a tese do
Materialismo Filosófico, que não deve ser confundido com o Materialismo
Pragmático e Hedonista adotado por aquele que, embora se diga até mesmo
religioso, só quer mesmo é gozar os prazeres da vida terrena, nem que seja em
cima da miséria alheia.
Todos os religiosos, como aceitam a Alma e Deus,
são, por isto mesmo, espiritualistas.
Assim, a pala espiritualista tem significado muito vasto, abrangendo o católico, o protestante, o umbandista, o candomblecista, o israelita ou judeu, o islâmico ou maometano etc.
Espiritismo
Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por Ter características bem definidas, a saber:
A – Concepção tríplice do homem: Espírito –
Períspirito – Corpo Físico;
B – Sobrevivência do Espírito como individualidade;
C – Continuidade da responsabilidade individual;
D – Progressividade do Espírito dentro do processo
evolutivo em todos os níveis da natureza;
E – Comunicação mediúnica disciplinada voltada para
o esclarecimento e a consolação de encarnados e desencarnados;
F – Volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas
vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição relativa a que se destina,
não admitindo, no entanto, a metempsicose, ou seja, a volta do Espírito no corpo
de animal para pagar dívidas, como aceita o Hinduísmo. Conforme o Espiritismo,
o Espírito não retrograda;
G – Ausência total de hierarquia sacerdotal;
H – Abnegação na prática do bem, ou seja, não se
dobra nada por esta ou aquela atividade espírita;
I – Terminologia própria, como por exemplo,
períspirito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita, e nunca corpo
astral, carma, Exu, Orixá, “cavalo”, “aparelho”, “terreiro”, “encosto”,
vocábulos utilizados por outras religiões e que não têm cabimento no meio
espírita;
J – Total ausência de culto material (imagens,
altares, roupas especiais, oferendas, velas etc.);
I – Na prática espírita não há batismo nem culto ou
cerimônia para oficializar casamento;
M – Respeito a todas as demais religiões, embora não
incorpore a seu corpo doutrinário os princípios e rituais delas;
N – A moral espírita é a moral cristã: “Fazer ao próximo aquilo que dele se deseje”.
Espiritismo, Sincretismo e Cultos Afro-Brasileiros
Na obra Africanismo e Espiritismo –
Cap. I, Deolindo Amorim afirma:
“Tem-se procurado, aliás sem razão plausível,
confundir o Espiritismo com velhas práticas afro-católicas, enraizadas no
Brasil desde o período colonial. Argumenta-se, em defesa de tal suposição, que
nas práticas africanas se verificam manifestações de espíritos, o que, no
entender de muitas pessoas, é suficiente para dar cunho espírita a essas
práticas. O raciocínio é mais ou menos este: onde há manifestações de
espíritos, há Espiritismo; logo, as práticas fetichistas são também práticas espíritas,
porque nelas se faz evocações de espíritos”.
“Eis aí uma preliminar discutível. Em primeiro
lugar, o que caracteriza o ato espírita não é exclusivamente o fenômeno; em
segundo lugar, o Espiritismo (corpo de doutrina organizado por Allan
Kardec) surgiu no mundo em 1857, e quando suas obras chegaram ao Brasil,
já existia o Africanismo generalizado, principalmente na Bahia.”
“Historicamente, como se vê, não é possível
estabelecer qualquer termo de comparação, porquanto o Africanismo data da época
muito recuada, ao passo que a Doutrina Espírita é do século passado…” (século XIX)
“O Africanismo tem ritual organizado, de acordo com
suas tradições seculares, fundadas na crença em divindades peculiares a seu
culto, enquanto o Espiritismo não adota ritual de espécie alguma, não tem forma
de culto, nem adora divindades. É uma doutrina de base científica, propensa ao
método experimental, de cogitações filosóficas muito elevadas, porque trata do
destino da alma humana, preparando o homem para a prática do Bem, única estrada
que conduz a Deus.”
“Muito deve o Brasil ao braço africano, cujo suor,
com sacrifício e dedicação, regou os alicerces da prosperidade econômica do
país. O africano trouxe para o Brasil os elementos de sua cultura, já muito
velha àquele tempo. Deu-se logo a mesclagem cultural, mais esclarecida,
atualmente, pelas investigações da Sociologia. Com o tempo, porém, o culto
africano começou a desfigurar-se, perdendo as suas linhas originais, em
consequência d gradativa e inevitável influência do Catolicismo. Fundiram-se,
pois, três tipos diferentes na formação do Brasil: europeu, africano e
aborígene. Entre os filhos da terra, os aborígenes, não havia uniformidade de
usos e costumes, o que não deixa de refletir a forma de culto…”
“O Africanismo perdeu há longo tempo, no Brasil,
seus traços primitivos. Formou-se no país uma cultura de fusão, disto
resultando o sincretismo religioso: um pouco de Catolicismo, um pouco de
Africanismo e um pouco de Espiritismo deturpado pelo misticismo popular.”
No Cap. II, o autor, informa:
“Não se discute que o objetivo do culto
afro-católico, com todos os seus elementos religiosos e culturais, seja ou não
o Bem; mas o que se acentua é que Espiritismo não se identifica nem se confunde
com o Africanismo. A prática deste último obedece a prescrições ritualísticas,
enquanto a prática espírita dispensa e rejeita qualquer fórmula sacramental,
qualquer objeto de culto etc.”
O Espiritismo encontrou, no Brasil, a
preponderância do Africanismo e do Catolicismo, com um fator absolutamente
favorável: o baixo nível intelectual das massas, educadas na superstição e sob
o influxo da Religião Católica, que lhe imprimiu o apego aos ídolos, aos
símbolos etc. Difícil tem sido ao Espiritismo reagir contra a propensão de
grande parte de seus simpatizantes para o culto fetichista. Daí muita gente,
que desconhece o assunto, que não sabe o que é Espiritismo, dizer que
Espiritismo e Africanismo são sinônimos…. Eis um erro que precisa ser desfeito.
Umbandismo, ou qualquer outra forma de Africanismo não constitui modalidade do
Espiritismo.
No Livro O Espiritismo e as Doutrinas
Espiritualistas no Cap. III Deolindo Amorim acrescentam:
“Apesar do aspecto comum – o caráter espiritualista
– a Umbanda não se configura no corpo da Doutrina Espírita nem o Espiritismo se
conforma à organização religiosa da Umbanda. À parte o fenômeno, que é ponto
pacífico, devemos considerar os dois movimentos em seus campos adequados, sem
confusão nem rivalidade: Umbanda deve ser compreendida como Umbanda e
Espiritismo deve ser compreendido como Espiritismo”.
A propósito, cabe esclarecer que não existe
espiritismo de mesa, alto espiritismo, baixo espiritismo, espiritismo de mesa
branca, e outras expressões similares. Existe somente Espiritismo.
Aliás, ficam também esclarecido que a expressão
Kardecismo não corresponde à realidade, pois a doutrina não é de Kardec. Allan
Kardec organizou, codificou a Doutrina Espírita ou Espiritismo, que lhe foi
passada pelos Espíritos encarregados de concretizar entre nós o Consolador
prometido por Jesus.
Transcrevemos abaixo pergunta de um céptico e a
resposta de Allan Kardec, constante da obra O que é o Espiritismo,
que bem esclarece o assunto:
“V. – O senhor tinha razão de dizer que das mesas
giratórias e falantes saiu uma doutrina filosófica, e longe estava eu de
suspeitar as consequências que surgiram de um fato encarado como simples objeto
de curiosidade. Agora vejo quanto é vasto o campo aberto pelo vosso sistema.
A.K. – Nisso vos contesto, caro senhor; dais-me
subida honra atribuindo-me esse sistema quando ele não me pertence. Ele foi
totalmente deduzido do ensino dos Espíritos. Eu vi, observei, coordenei e
procuro fazer compreender aos outros aquilo que compreendo; esta é a parte que
me cabe.
Há entre o Espiritismo e outros sistemas
filosóficos esta diferença capital; que estes são toda obra de homens, mais ou
menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o
mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de
Leibniz; nunca se poderia dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto,
felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior
preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos.”
Por Serniom
FONTE:
https://espirito.org.br/artigos/espiritismo-e-espiritualismo/
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